12 dezembro, 2005

Itacoá é a rainha - Bruninho é o rei - Pipe, a amante...


Bruno Santos curte com a rapaziada em Itacoatiara, dias antes de embarcar para o Havaí, dias antes de colocar o nome de Itacoá e do Brasil nos livros da história.


Um imenso orgulho eu senti quando soube pela internet que o Bruninho Santos conquistou pela segunda vez seguida uma vaga para o Pipe Masters (o cara já venceu sua primeira bateria no evento principal, deixando Occy e Fanning pra trás!).

Um grande orgulho de gostar tanto da onda onde ele aprendeu a pegar desse jeito – amada Itacoatiara (que Deus a proteja! E que as ondas de sudoeste entrem!), segundo o próprio, “os melhores tubos do Brasil quando está perfeito”.

Itacoatiara.

Num pequeno e simples retrospecto: como diz Júlio Adler, o cara (Bruninho) que voltou a colocar o Brasil como desafiante no Hawaii (isso ano passado, quero saber o que o Julio tá pensando agora, apesar de achar melhor o campeonato acabar porque tem um pressentimento no ar que o ‘garoto’ vai muito longe...). Ah! Como eu ia dizendo, ele foi passando o rodo desde a segunda fase da triagem, só competindo contra os locais.

Olha ela aí. Pipe.



Primeiro deixou Tamayo Perry pra trás. Nas quartas de final, deu show surfando apenas duas ondas na bateria (9.00 e 9,1 pontos – as notas mais altas da disputa). Atrás, Dustin Barca, com 7,67 na sua melhor onda. Ou seja, um baile. Nessa Mark Helay, queridíssimo da mídia americana, foi eliminado. Na semi, Bruno não foi “tão bem”, passou em segundo...

A final da triagem ainda não aconteceu. Mas o Pipe Masters já. E Bruninho já tá na terceira rodada, pois venceu Occhilupo e Mick Fanning em sua primeira bateria. Se a esquerda de Pipe continuar como o Bruninho gosta, ele vai inventar moda séria.


Olha ele aí. BS.


A galera de Itacoá tá na vibração positiva, na torcida. Tem gente quase perdendo o emprego vendo as disputas pela rede.


Rapaziada de olho na ação dentro d'água, no Pampo; e agora na torcida por Bruninho, de olho na rede.

Acho que o Bruno nem precisa mais entrar para o WCT. Se todo ano ele se classificar para o Pipe Masters será o pioneiro de uma nova modalidade de conquistas no surfe brasileiro: a de candidato a rei da onda mais importante no mundo do surfe.

Vai que é sua Bruninho! Parabéns e valeu pelo orgulho que você já trouxe pra galera!

O vídeo que tá no Waves mostra a atuação dele, com depoimentos. Tá bem legal. Vale salvar.

17 novembro, 2005

Jardim do Mar, Ilha da Madeira, onde o Mamá surfou as melhores da sua vida, em 1999/2000. Foto: Mamá.

"Fala Claudinho, adorei o blog e está ótima a entrevista com o Júlio Adler. Queria aproveitar esse link com a surf portugal pra saber como estão as reais condições de surf no Jardim do Mar e no Paul do Mar (Ilha da Madeira) se possível algumas fotos de como ficou o surf na melhor onda que já surfei em toda a minha vida. Queria aproveitar também para reavivar a polêmica em torno das negociações da Surfrider Foundation e o governo da Ilha da Madeira (mais), que aliou surf ao tráfico e consumo de cocaina na ilha para mobilizar a opinão pública a fovor da destruição do pico. Grande abraço, Marcelo Ribeiro."
Foto e comentário que Marcelo "Mamá" Ribeiro, amigo dos mais viciados em surfe que conheço, mandou para o Surfe Pensado. Alguém tem notícias desse pico alucinante? Tá lá ainda?

05 novembro, 2005

Estava há duas horas editando um texto a ser publicado aqui no Surfe Pensado. Fui salvar o bendito e perdi mais da metade do trabalho... Aproveito o impulso para publicar um texto antigo, que ainda é atual, pois foi assunto em papo recente sobre o trabalho que está sendo feito por algumas pessoas do Rio de Janeiro, que vem dando frutos, junto com os surfistas que vêm do Nordeste. A galera vem com garra, necessidade e encontra aqui gente que dá apoio e atenção e os resultados estão aí. Só vou citar um nome, sem fazer nenhum garimpo porque se não esse blog não será mais atualizado. Cito, por mais óbvio que seja, a Silvana Lima e aposto que ela será campeã mundial da ASP antes do Mineirinho.

Tá aí um texto publicado no itacoá.com em 23 de novembro de 2003.






Inspirado pela mensagem do Alexandre Buriti (leia!) e por um artigo escrito pelo Tito Rosemberg (http://www.titorosemberg.com/), na edição 126, da revista InsideNow, a gente dá início a mais uma montagem do projeto Surfe Pensado. O assunto? Chuta!

Por que o surfe não decola? Ou, por que o surfe não decola como nós, amantes do esporte, gostaríamos? Outra. Será a bitolação dos surfistas um fator que ajuda na construção de uma imagem distorcida do esporte?

Não é de hoje que eu acho que o bom surfista não deveria passar o dia inteiro pensando em surfe e malhação. Incluo aí, principalmente, o aspirante a surfista profissional, aquele que invariavelmente sonha com uma carreira internacional. Pode parecer besteira, mas já vimos grandes atletas sucumbirem à pressão de estarem em terras distantes, ouvindo línguas desconhecidas, carecendo de estrutura e não de surfe no pé para serem bem sucedidos.

Surfista precisa de educação, de escola, de curso de inglês, francês ou espanhol... Precisa se relacionar com o mundo que existe do lado de fora do ambiente da praia. É difícil para um moleque perceber isso, mas é fácil (deveria ser) para uma marca patrocinadora ter a visão de que a imagem do surfe ficará mais nítida (lucrativa na língua empresarial) quando nos campeonatos (e no dia-a-dia) seus atletas se expressarem melhor para o resto do mundo. Toda empresa patrocinadora de atletas amadores deveria ser responsável pelo custeio de uma parcela da educação dos mesmos. Isso deveria estar escrito em lei, deveria ser uma ideologia.

É aí que coloco as palavras do Tito Rosemberg: “Não há nada mais importante na vida de uma pessoa do que diversificar seus interesses. E não há nada mais triste do que um surfista brocha porque as ondas não estão acontecendo”. O artigo citado teria mais a ver com o assunto ‘surfe X terceira idade’, mas não consigo deixar de associar suas palavras à necessidade que os surfistas devem ter pela eterna busca não só por ondas, mas por outros assuntos, outras disciplinas. Afinal, agora o surfista deixou de ser o hippie, que constantemente colocava o pé na estrada, para ser o esportista, que continua viajando para outros oceanos, só que na cobiça por pontos no ranking e dinheiro no bolso.

Olha eu aqui dando dica pra capitalista: o cara ‘acha’ um atleta promissor, banca ele no surfe, tira ele um pouco da praia, por obrigação, para que o garoto(a) estude e aprenda uma segunda língua (nota de hoje: além do português e um pouco de cultura geral). Esse atleta será favorecido para o resto da vida, mesmo no caso (quase certo) dele não se tornar um dos 45 membros da elite mundial.
Mas qual será então o retorno? Vem na imagem, em longo prazo, que será construída, de praticantes/pessoas mais conscientes, que passarão para a sociedade uma imagem em transformação (e não estagnada) do esporte, o que acarretará em mais apoio para projetos e eventos, em mais consumo e até, entre outras inúmeras vantagens, numa melhor cobertura do esporte por parte da mídia, não só a especializada. Sem falar que esse então adolescente, depois da carreira como surfista profissional, poderá ser mão de obra mais que especializada para a própria empresa e o mercado do surfe em geral. É como se fosse a mão invisível reguladora dos mercados.
Essa conscientização tem que partir da praia e seguir para o mundo das competições. Nesse caso não adianta ter médico, dentista, promotor de justiça, engenheiro ou juiz praticando o surfe. A imagem que a sociedade tem do esporte é formada pelos seres que movem o surfe como instituição (surfistas amadores e profissionais, patrocinadores e organizadores de competições e etc.) e não pelos que praticam o surfe apenas como um estilo de vida, como uma válvula de escape ou coisa parecida.

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A coluna Surfe na Terceira Idade repercutiu algumas mensagens. Clique aqui para conferir alguns trechos das manifestações e não hesite em mandar a sua opinião, crítica ou sugestão.

Até!